Monthly Archives: Outubro 2010

…a efervescência de Kuta

Acho que existe uma Bali que vai ao encontro de todos os gostos, de todas as expectativas, de todos os turistas.

Se o objectivo é o surf dizem os entendidos que a região do sul é a ideal e aqui até as aceleras estão apetrechadas com um suporte que permite transportar a prancha.

Se o objectivo é cultural então Ubud é o local certo.

Se a expectativa é antropológica a região Este é a ideal.

Se o que quer mesmo é mergulhar na natureza intocada recomenda-se a zona oeste da ilha, com o seu parque natural.

Mas numa viagem cuja ambição é fazer de tudo um pouco talvez aconselhe deixar a loucura de Kuta para o fim. Porquê? Porque corremos o risco de iniciarmos esta aventura com uma ideia completamente errada do que é Bali.

Kuta é uma ilha dentro de uma ilha. Uma gigante Albufeira, com tudo o que de mau isso tem, com milhares e milhares de lojas que vão do mais básico do artesanato ao mais chic Dolce & Gabana, sem esquecer as dezenas de lojas de marcas de surf. A cidade é ingovernável, com um trânsito caótico, e uma praia de perder o fim. Ainda assim, esta loucura parece funcionar.

A invasão de australianos é evidente. Adolescentes com as feromonas aos saltos que se transformam em predadores sexuais mal a noite se inicia. As discotecas parecem desafiar-se umas às outras no mau gosta na música. E pelo que pude constatar só mesmo o bar “Vi ai pi” parece ir ao encontro de gostos mais europeus. A não ser que seja como os australianos… e aí… força!

Para comer as escolhas são quase infinitas e não será por aqui o problema.

Aqui, literalmente, cada local é mesmo um taxista. Um curto percurso de 100 metros equivale a umas 10 solicitações para táxi. Há noite junta-se os apelos aos cogumelos mágicos (uma droga legal por estas bandas), já para não falar que recebi umas 20 ofertas para comprar Viagra! Are you kidding me???

O ideal dirão os puristas será ficar em Seminyak, uma localidade upscale junto a Kuta. Erro puro! A loucura faz e sabe bem. O melhor mesmo é ir à praia em Seminyak. Gente civilizada, espreguiçadeiras e pode sempre aproveitar para comprar umas aulas de surf! Não me aventurei no surf mas tornei-me fã da Bintang, a cerveja cá do burgo.

Já para a noite o Ku Dé Ta, em Seminyak, é provavelmente um dos mais bonitos beach-bar que existe à face da terra. Mas conselho meu é não jantar. Vá apenas beber um copo. O serviço é péssimo e os preços a roçar o pornográfico. Portanto, o melhor mesmo é sair da praia pelas 18h e ir assistir a um dos melhores sunsets que já teve o prazer de viver ao Ku. Eu sei, eu sei… soa estranho mas acredite que é só no nome. Posso apenas acrescentar que as minhas saudades de sangria eram tantas que por momentos pensei em pagar 40 euros por um jarro, já que ali é o único local em Bali onde a poderá provar.

Há certamente montes de histórias e estórias que poderia partilhar aqui. Mas a verdade é que cada um tem de fazer a sua própria viagem. Deixar-se ir. A viagem começa dentro de nós e esse é o prazer supremo da partida, da experiência… a descoberta. A descoberta de um destino, de uma cultura diferente e milenar, e, porque não, a descoberta de nós próprios.

Faça as malas…

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Bali, da essência à efervescência

Nos últimos dias deixei de escrever e decidi viver o destino. Perdoem-me! Na realidade o programa tem sido bastante intenso e a avidez pela descoberta maior a cada dia que se aproxima a partida. Actualmente estou em Kuta, não sem antes ter passado dois dias a Este de Bali, algures entre a vila de Manggis e de Candidasa. Vou portanto dividir as minhas observações entre a Essência (a Este) e a Efervescência (Kuta).

A Este do paraíso

Entre 21 e 23 fui para a região Este da ilha. O turismo ainda dá os primeiros passos por aqui. A estrada melhora, mas a maluquice na estrada continua. Esta é uma zona costeira, especialmente nesta estrada que vai da vila de Manggis até Candidasa. Tinha altas expectativas, mas vai-se a ver esta última terra tem apenas uma rua. Parece aquelas aldeolas portuguesas onde o mais relevante parecem ser as tabuletas “Bem-vindo a X” e “Obrigado por visitar X”. A praia é de areia escura como o breu e na maré cheia torna-se existente, isto quando não está ocupada por dezenas de embarcações de pesca locais. Os restaurantes também são de qualidade duvidosa e nem o indiano Rajas, bem conotado junto dos guias de viagem, se safou. Então, o que raio vim aqui fazer? A realidade é que esta região talvez seja aquela que melhor conserva a essência das gentes de Bali. Se Ubud era a capital cultural, aqui conseguimos importância que os balineses dão à sua aldeia e às suas gentes. Poucos são aqueles que querem trabalhar longe da sua aldeia, porque esse afastamento significava que não poderia atender ás festas no templo e ajudar na vida comunitária. “ E depois quem é que ajudaria e iria à minha cremação?”, pergunta-me um simpático balinês.

Aqui dinheiro também não é uma questão. Não me interpretem mal, mas esta gente quer o suficiente para viver e o tempo que sobre é para dar para a vida comunitária; ajudar nos casamentos; nas cremações; nas festas do templo. Perdão, nas cerimónias, como muitas vezes fazem questão de me corrigir.

Portanto, a primeira noite foi um choque com toques de desilusão. Mas ao segundo dia tudo se desvaneceu. Logo pela fresca fui (tentar) fazer mergulho à Lagoa Azul. O local dista 20 minutos de barco do Hotel Alila Manggis e apesar de se situar a poucos metros de um terminal de combustível a água é realmente cristalina. Acontece que uma constipação mal curada em Ubud degenerou em ataques de tosse convulsiva que mal me têm deixado dormir. Portanto, passei antes 45 minutos agarrado ao barco a contemplar a paisagem. Para a tarde estava reservado um passeio pela zona mais pelo interior. A 4 kms de Candidasa encontro a aldeia de Tenganan, uma das duas únicas onde se encontra os Bali Aga (balineses originais). Os Bali Aga conservam a sua cultura pré-hindu, baseiam-se na cosmologia e em outras crenças animistas. Distinguem-se por manter uma rígida organização social. Os aldeões têm de viver dentro das paredes da aldeia – que tem quatro portas e as fecha durante a noite -, todas as casas são rigorosamente idênticas e no centro existem os banjares, locais de reunião para os mais velhos e para os mais novos. Por exemplo, se uma das mulheres da aldeia casar com alguém de fora (ou vice-versa) perde automaticamente a propriedade da sua casa, passando apenas a ter o seu usufruto ( e isto se o conselho autorizar). A realidade, e posso estar redondamente enganado, é que as pessoas da aldeia não pareciam gente feliz.

O templo situa-se fora dos muros de Tenganan e tive a felicidade, um dia antes desta incursão, de ver in loco um dos casamentos locais, com todo o folclore inerente. Foi mais do que felicidade, foi sorte. Acontece que por estes dias teve lua cheia e este é um bom auspício para celebrações. Portanto, não havia terra por aqui que não tivesse em festa. Aqui vale a pena comprar os cestos feitos localmente e o Geringsing.

O Geringsing é um tecido mágico que demora quatro anos até que uma peça esteja completa. Diz-se que protege quem o usa e que antigamente a cor vermelha era obtida pelo sangue humano. Um pequeno cachecol pode chegar aos 150 euros! Mas vale a pena, por todo o misticismo e trabalho ao longo dos anos que dá a fabricá-lo. O mais curioso é que a cor de cada peça vai mudando ao longo dos anos, vai-se refinando, como o vinho tinto. Portanto, quanto mais velha a peça mais cara ela é.

Outra zona relevante é a de Tirta Gangga. Além das fantásticas vistas sobre os arrozais, é aqui que se situa o palácio de água. O nome quer dizer literalmente “água do Ganges”. É aqui que se situa o último palácio mandado construir pelo Rei de Karangasem. Como no nome indica o elemento principal é a água, piscinas fantásticas pululadas por estátuas e pequenos caminhos pelo meio da água. Pode-se inclusive tomar banho numa das piscinas, cuja água vem directamente de uma milenar nascente. Mais uma vez tive sorte e assisti a uma cerimónia com centenas de aldeões. Além da música, era ver as famílias a contemplar as piscinas, alimentar os peixes, ou simplesmente a conversar. Vale a pena parar no Tirta Ayu, um restaurante no interior do Palácio, com uma vista fantástica sobre o local e uma comida… comestível.

Já para a noite a opção foi por alugar um carro, um Toyota. A luzes de distância do tal Jimmy, o pesadelo de Ubud. À noite, já farto de Candidasa dirigi-me a Pandang Bay, uma vila pouco relevante não fosse o facto de dali partirem os ferries para a ilha de Lombok. Ainda assim consegui jantar com dignidade no Grand Café.

O dia seguinte era de partida para Kuta, mas estava determinado a encontrar uma pequena praia, perto de Pandang Bay. Dizia-se que era das poucas por aqui que tinha areia branca e que o seu acesso era tão difícil que a praia dava pelo nome de Hydden. E difícil é dizer pouco. O alcatrão simplesmente deixa de existir até chegar ao ponto que a estrada simplesmente acaba. Resta-nos mergulhar no meio da selva, caminhar pelo meio de uma espécie de pedreira, sempre a descer, até chegar ao destino. E lá está ela, uma pequena praia de areia “mais clara” com uma água simplesmente fantástica. Vale pela experiência.

E depois seguiu-se o choque de Kuta, a tal efervescência. Mas sobre isso falo mais tarde…

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Ubud, a alma de Bali

Pelo que percebi quando a maioria das pessoas fala de Bali refere-se invariavelmente à zona sul da ilha, mais concretamente à confusa Kuta ou à cosmopolita Seminyak.

Acontece que tenho estado mesmo no centro desta fantásica ilha, mais concretamente em Ubud. Ubud não é uma vila, mas sim um conjunto de aldeias onde cada uma é especializada num género de arte. Há a aldeia dos batik (uns panos que colocam à cintura, cujos desenhos são feitos com cera); a aldeia da prata e do ouro; das esculturas em pedra; das pinturas; o que não faltam aqui são artistas!

Mas esta também é a terra das rãs – as tipas não se calam nem por um ninuto -, dos macacos, das pequenas lojas de bom gosto, das massagens, da arte, das danças tradicionais, dos taxistas (qualquer tipo que tenha algo com rodas é um taxista involuntário nesta terra), e dos templos. Diz-se que Bali terá mais de 10 mil templos!! Qualquer família tem um aqui.

E apesar de todo o turismo há algo que impressiona: a simpatia. Os balineses são genuinamente simpáticos. Quando paro para tirar uma foto não só agradecem como me dizem para conduzir com cuidado.

Por falar em conduzir, o filme do Mad Max aqui nesta terra seria utilizado para dar noções básicas de consução a crianças de 5 anos. Estes tipos são totalmente doidos!! Os passeios não têm mais de 1 metro de largura e raramente estão desimpedidos. Juntam-se estradas onde mal cabe um carro, quanto mais dois sentidos… e temos pólvora! Com reticências decidi alugar um jeep(zinho), um tal de Jimmy. E diremos que o carro está de acordo com as estradas. Logo de início estranhei que o veículo tivesse repleto de oferendas aos deuses… no pára-choques, antena, capot e afins. Só depois me apercebi que para conduzi-lo é mesmo necessário apelar a todos os deuses balineses. Ou isso ou então é o dono do carro que considera um milagre um qualquer estrangeiro voltar vivo para contar a história… e com o carro intacto!

O volante tem uma folga de 90 graus; o travão deve ser de disco, mas estilo Flinstones. Sou obrigado a travar a 100 metros de qualquer coisa que pare… e são muitas! Conduz-se pela esquerda, o que me obriga a sempre que quero limpar o pára-brizas… ligar a luz! Depois há a folga das mudanças, em primeira… é como estar em ponto morto… tal a folga. Já para não falar que nas três primeiras mudanças o barulho que faz é semelhante ao de um foguete a aquecer os motores. Justiça seja feita ao meu Jimmy…tem ar condicionado… mas o que sopra de frio por cima…bufa de quente por baixo. Depois há a aventura de conduzir ‘isto’ nas ruas de Ubud, por entre milhares de motas, muitas com 3 pessoas, uma criança ao colo e uma encomenda de ovos!!! Como é que estes tipos não hão-de ter milhares de templos e múltiplos deuses?? Só pode!

Estou alojado no Alila Ubud, mesmo no meio da selva. Tudo é bom, mas sobressai a piscina, considerada uma das 50 melhores do mundo. De vista infinita e com uma visão para um fundo vale, repleto de verde. as rãs continuam a coachar e a banheira está numa espécie de jardim interior rodeado de água. Dito assim é paradisíaco, mas a probabilidade de ter um destes batráquios na minha banheira enquanto eu estou como vim ao mundo não me agrada de todo. Portanto… resta-me o duche! Também aqui não se pode deixar janelas abertas porque a macacada é prima dos outros cabrões de Uluawato… e portanto…  da mesma família dos que estão no poder aí em Portugal.

O dia de hoje começou com um passeio de BTT pelos arrozais e pequenas aldeias balinesas. Só no ponto de partida me lembrei que já não pegava numa bicla há uns 16 anos!! Acho que perdi uns quilinhos mas ganhei sabedoria e paz de espírito. percebi um pouco mais da cultura deste povo milenar, da estrutura das aldeias, organização familiar, devoção, etc.

Fiquei cismado com uma coisa. Ao que parece a bola está para o nosso país como a luta de galos está para Bali. Homem que é homem aqui tem um galo. Dizem os balineses que gostam mais do galo que da mulher. É fácil perceber porquê. Acordam cedo de manhã e vão para os campos; pelas 10h30 fazem uma pausa para se abrigarem do calor, almoçam, pegam no galo e vão passear com ele até ao banjar, uma espécie de centro comunitário onde todos os homens se encontram. Pelo caminho vão dando massagens aos galos… sim massagens! Os mimos para os galos são muitos…para as mulheres poucos ou nenhuns. E não viram eles o nosso galo de Barcelos… mas isso já explica muita coisa em Portugal! O mais incrível é que chegam mesmo a tomar banho com os galos. Não é treta, eu mesmo vi um tipo a tomar banho num canal de água com o seu galo.

A tarde foi passada na Monkey Forest, um local que como o nome indica tem milhares de macacos num cenário simplesmente fantástico, próprio de um Indiana Jones. Típico cenário de filme…só que não é cenário. Existe. Desta vez agarrei-me a tudo com unhas e dentes e por muito que a macacada saltasse não roubou nada. Vim precavido e trouxe bananas :-P. Como diz o ditado… à primeira caem todos, à segunda caem alguns… e eu não fui um deles!

Quanto à alimentação já resolvi o meu drama. Há por aqui um arrozinho frito fantástico chamado qualquer coisa goreng… e está muito bem.

Sempre que me ligo à net e vejo as notícias fico com cada vez menos vontade de para aí voltar. Com massagens a 6 euros não é para menos. Mas realmente só se lê desgraças! E fico, á distãncia, com a sensação que nos afastámos da nossa essência.

O que somos nós na realidade? Porque corremos atrás do ter em vez do ser? O que é isso de «carreira»? Porque perdemos a capacidade de encontrar felicidade nas coisas simples da vida? Porque é que a Economia abre telejornais e não os grandes feitos da humanidade? Tenho a certeza que Bali deixará marcas em cada um que a visita.

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Bali II, a confirmação

O segundo dia traz sempre uma nova perspectiva sobre um destino. Não sei se conhecem a sensação?! Pelas 6h00 assisti aos primeiros raios de sol, ao calar da sinfonia louca dos sapos e dos grilos. O pequeno-almoço no Alila é gourmet mas nem por isso ao meu gosto. Também pode ser que o meu paladar não seja muito sofisticado, mas quem me tira o meu galão tira-me tudo.

Estava eu a degladiar-me com o breakfast (em que pedi 80% do que estava na lista) quando se abate uma carga valente de água. Mas, apesar da hesitação, a decisão estava tomada: conhecer o Templo de Uluwatu e Pandang (a praia onde foi filmado o Eat, Pray & Love). O templo,colocado bem numa falésia junto ao mar, não é arquitectonicamente relevante. Mas houve aspectos bem interessantes. Um deles foi constatar a religiosidade dos balineses. Por todo o lado ( enão só nos templos) há pequenas oferendas colocadas numas caixinhas feitas de folhas enormes, onde não falta o incenso. É ve-los orar em todo o lado. Depois são os macacos, ás centenas, em todos os cantos deste imenso templo. O meu guia virtual no iphone já me tinha alertado que estes sacanas peludos são doidos por roubar qualquer coisa e depois chantagear. Diremos que são uma espécie de banco Central Alemão… empresta-nos dinheiro mas exige-nos juros exorbitantes… e como estamos sem saída cedemos. Não tinha óculos de sol e agarrei-me com valentia à máquina fotográfica, como se a minha vida daquilo dependesse. E estava eu deliciado a fotografar a macacada quando um sacana se agarrou á minha perna enquanto o outro me rouba o chinelo. Se fosse em Lisboa diria que era crime organizado… ! Logo surgiu vindo do nada um balinês vestido de forma tradicional que trocou um pequeno saco de fruta pelo meu chinelo. Cheira-me que era cúmplice da macacada e que aquilo é ensinado desde pequeno a roubar o turista. Paguei 5000 rupiahs e agradeci. Minuto mais tarde a esposa ofereceu-me um saco de fruta para levar, mas recusou receber dinheiro. Pelo jeito com que olhou para mim foi como se tivesse a dizer: Leva lá isto filho, tótó como és cheira-me que não serão só os chinelos que te vão levar!!

A realidade é que saí dali sem mais nenhum furto! 🙂 Deve ter sido pelos macacos me terem ouvido a falar português e pensarem: Coitado, vai em paz que a tua cruz já é pesada! Já lá tens o Rei dos Macacos… chama-se Sócrates e tem um bando danado.

E já me esquecia da praia de Padang-Padang. Desce-se e desce-se e desce-se… os degraus parecem não ter fim… entramos por um buraco cavernoso… e depois o esplendor. Uma daquelas praias asiáticas… que podem apreciar no filme. Não estava lá o Javier Bardem… mas estava lá eu que sou bem mais novo e falo melhor espanhol que ele fala inglês! O pior foi para subir…

PS – Amanhã escrevo sobre Ubud, onde me encontro agora. Amazing!

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Bali, a ilha encantada dos deuses

Depois de inúmeras confusões consegui finalmente chegar a Bali. Em Kuala Lumpur cheguei a enganar-me no aeroporto. É esta mania portuguesa de ser pequenino e pensar que se nós temos apenas a Portela… os malaios não podem ser mais que nós. Pois são, são o dobro da população e têm um Low Cost Terminal que me deixou de boca aberta. Claro está que tudo é Air Asia. O mais curioso é que para poupar não há cá mangas nem transferes na pista. Abre-se o gate… e percorro o caminho por um corredor fechado pelo meio da pista com aberturas e respectivos números. Chego ao meu…paro e aguardo…subo para o avião e já está!

Chegado a Bali nada de transfer. Mais uma confusão e uma hora de espera. Nada que não se resolvesse. Primeiro destino em Bali foi Uluawatu, bem no sul da ilha. Não posso contar muito, pois só aí fiquei uma noite. Mas Alila Uluwatu Hotel está certamente na categoria dos melhores hotéis do mundo (e já vi muitos). A arquitectura contemporânea é do que melhor o bom gosto consegue produzir, os amenities de qualidade superior, o conforto pensado ao pormenor e elevado ao estatuto de paranóia. E depois não faltam aquelas mariquices que todos nós gostamos em Lisboa… ou em Bali. Como por exemplo, um ipod com as músicas que eu gosto, escolhidas previamente. Vale a pena visitar nem que seja o site do hotel.

À noite, e por indicação de amigos, o jantar foi em Jimbaran Bay. Uma extensa baía com uma não menos impressionante língua de areia, repleta de restaurantes na praia. As mesas estão dispostas mesmo em cima da linha de água. Entra-se na praia por uma das dezenas de restaurantes que por ali abundam, escolhe-se o peixinho e o marisco… e depois é esperar que a coisa venha para a mesa, por entre umas Bintangs (cerveja da melhor). O pior é que se vem com o embalo dos Ringgits da Malásia e passa-se rapidamente para as Rupiah da Indonésia. E aqui é tudo em centenas de milhar. Perde-se completamente a noção do que se come e gasta. Resultado, uma refeição que tinha tudo para ser barata ficou a 50 euros por pessoa! isto sem falar no taxi, mal explicado, paguei 3 x mais. Pensei na sabedoria imensa da minha mãe: “Queres ter razão ou ser feliz”. Preferi ser feliz, mais leve na carteira, e imaginar que comi por 20 euros e perdi 30 pelo caminho. 🙂

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Malaca e o resto

O terceiro dia na Malásia teve pouca história. Uma visita a uma mesquita impressionante, um lanche no Museu do pai do sultão do estado de Selangor e uma incursão ao parque de pirilampos.

Vamos por partes, a visita ao museu mostra uma ínfima (ínfima mesmo) parte dos bens do pai do actual sultão (a Malásia tem 9 sultões e muda de rei, de forma totativa, a cada cinco anos, entre eles). O que se retem é que a expressão “viver uma vida de sultão” faz todo o sentido. Fica-se de boca aberta. E ao que parece o dito sultão gostava de coleccionar pratos e não falta lá um de Portugal com um belo galo (não o de Barcelos).

O segundo dia começou cedo, com a saída do hotel em KL e a ida até Malaca, onde pernoito agora. O meu motorista já não se chama James e já não é hindu. Este chama-se Alex, é chinês e conduz uma carrinha tipo hiace que já viu melhores dias. Dizem os guias que a viagem até Malaca é coisa para demorar 2 horas. Pois o Alex conseguiu o feito de chegar ao destino em… 4h! Quando o conta-quilómetros atingia os 80 Km/h era a loucura instalada! A meio caminho o interior do carro começa a cheirar mal. Muito mal mesmo! Pergunto se o carro é a gás, diz que não; que a culpa é da poluição. Só que a tal ‘poluição’ persegue-nos por mais 1h30 de caminho e conco enganos do Alex. Chegados a Malacca sou informado que a bateria deu o berro… e o alternador também. Agora rezo para que alguém me venha buscar. No stress.

Estou instalado no The Majestic Hotel Malacca; um butique hotel do tempo colonial lindo de morrer e com um serviço impecável. Um ‘must go’ onde não falta uma daquelas banheiras antigas quase no meio do quarto.

Aqui em Malaca é obrigatório visitar o Portuguese Setlement e ver as ruas D’Albuquerque ou petiscar no restaurante Lisboa. Mas é na Junker Street que a confusão se instala. Aos fins de semana a rua encerra ao trânsito fim do dia e tudo se vende, especialmente curiosidade, antiguidades, comida e roupa. Não raro é ver esta malta a cantar em karaokes. Aqui o sentido do ridículo não se aplica e não raras as vezes pensei que estavam a matar animais no interior dos estabelecimentos.

E depois há o centro histórico de Malaca, com todo o seu romantismo e charme, os inúmeros museus e os riquexós. Os riquexós são bicicletas que puxam um atrelado onde cabem duas pessoas. Mas aqui eles são elevados ao patamar de arte urbana. Cada um tenta superar em decoração aberrante o outro e até na música se distinguem. À noite é vê-los na versão neon berrante.

Nota de destaque para o restaurante Taragon, mesmo junto ao rio, onde se pode apreciar da melhor comida local (mistura de chinês com malaio). A única falha é não ter vinho português, mas compensa em simpatia, qualidade e capacidade (280 pessoas em vários ambientes sem nunca parecer grande). Está instalado num edifício com centenas de anos, onde os tijolos são do tempo da ocupação holandesa e as portas do armazém têm mais de 400 anos!?

Nota: Esqueci-me de referir a aventura ao Firefly Park Resort – Kuala Selangor. O local parece um restaurante da beira de estrada para camionistas, com um restaurante onde se apinham chineses e coreanos. Mas passado o primeiro impacto somos levados para um barco que em total silêncio e escuridão faz umpequeno trajecto no rio. A aventura não chega a demorar 30 mns… mas passado pequenos instantes… começamos a observar verdadeiras árvores de Natal. Chega a ser comovente, centenas de pirilampos numa só árvore, quase em sintonia… e depois outra… e mais outra. Grande conselho: não tirar fotos! Ia sendo espancado só pelo simples facto do meu flash ter dado sinal de vida! salvou-me a Bert Che, a directora do parque que é de uma simpatia esmagadora.

Amanhã aguarda-me Bali… Malaisya Adventure ends (se arranjar carrinha para voltar) e começa a de Bali, logo por Uluwatu. Até à próxima… 🙂

PS – Faltou escrever sobre a Zheng He Tea House e a sua proprietária, Pak Siew Yong. Mereçe um post à parte pela arte do chá, paixão no que faz e simpatia.

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Malásia: E discutimos nós pelo CCB!?

O segundo dia pela Malásia começou com uma pesquisa por um local onde cortar o cabelo. Mais uma vez ficou provado que o Tripadvisor não serve para nada e só confunde. Descobri que KL (Kuala Lumpur) tem um Tony & Guy, com academia e tudo. Feita a marcação comuma stylist lá me dirigi ao último andar do prédio, situado numa rua em que a loja mais pobrezita devia pertencer ao Versace. Simpatia a rodos, um chá para abrir, umas revistas sobre o macho em NY, e lá começou o estudo do meu cabelo. Cada corte era como se fosse uma pincelada de um mestre, cuidado, estudado, ponderado. O resultado foi um corte qual Cristiano Ronaldo. Pelo menos já não destoou da maioria dos jovens malaios.

Para a tarde estava agendada uma pouco promissora visita a Putrajaya, a segunda capital administrativa do país, uma cidade construída de raiz. Puro engano! Se há cidade que nos deixa de boca aberta… é esta. Tudo é grande, opolento, novo. Vou repetir… GRANDE! OPOLENTO! É como se o Tio Patinhas tivesse aberto a caixa forte e decidisse gastar todo o dinheiro. O resultado seria semelhante! As duas mesquitas são de cortar a respiração; a ponte sobre o rio é todo em inox, brilhante; e qualquer edifício faz dois ou três do CCB. O Palácio do Rei (sim, ele tem vários) observa tudo do alto de um monte; e a casa do primeiro-ministronão lhe fica atrás em majestosidade.

Pelo meio houve ainda uma experiência para comer indiano. Conselho amigo: qualquer prato a começar por ‘Deep’ é uma bomba relógio à espera de rebentar na boca. Qual cogumelos, qual quê! Picante aqui é o nosso sal. Segundo conselho: as lagostas têm um aspecto delicioso, inversamente proporcional à sua textura e sabor. Simplesmente deplorável! E o pior é que visto estar numa zona ‘bastante islâmica’… cerveja nem vê-la!

Para a noite estava reservada uma incursão até Bukit Bitang. Este é o coração do chamado triângulo dourado de KL. É aqui que tudo começa… e acaba. A meio desta avenida é cortar para a Changkat Bukit Bitang e entra-se na zona dos bons restaurantes internacionais. Se a ideia é mergulhar na cultura local entao é apanhar a primeira transversal e ficar de boca aberta: são milhares de pessoas sentadas em centenas de restaurantes de rua a comer desde sapos a Deus sabe lá que mais. Voltando à Changkat… após o jantar tudo vira bar e animação de rua. Portanto, vale a experiência.

Para amanhã está reservada uma visita Sha Alam, a capital de uma das províncias, e para a noite algo pelo qual aguardo com curiosidade: Firefly Kuala Selangor. Uma viagem nocturna para observar um Parque Natural de Pirilampos!! Promete… 🙂

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