Monthly Archives: Setembro 2008

Baja California Sul, o deserto improvável

Baixa Califórnia Sul é um destino desconhecido dos portugueses, mas não lhe faltam argumentos para se assumir como uma das mais fortes apostas do turismo mexicano

 

Confesso a minha ignorância. Até ter recebido o convite do Turismo do México para visitar a “Baja Califórnia Sur” nunca tal tinha ouvido falar. Na Internet vários ‘sítios’ falavam do destino com paixão e entusiasmo, não poupando em adjectivos para o qualificar como uma das mais recentes pérolas do turismo mundial. Não me deixei convencer e decidi ver com os próprios olhos essa pérola que tanto falam e que nós, portugueses, tão pouco conhecemos.

Primeiro dado a reter. Qualquer semelhança entre a Califórnia dos Estados Unidos e a do México fica-se apenas pelo nome. O estado da Baja Califórnia Sul fica situado  numa enorme península na região noroeste do México. Tem como fronteiras a Norte o estado da Baja Califórnia Norte, a Oeste e Sul o Oceano Pacífico e a Este o Mar de Cortéz. A capital é La Paz, junto ao Golfo da Califórnia, e é daqui que podemos partir à descoberta de Peurto Balandra, uma lagoa que conta com oito baías mais pequenas, e onde é possível encontrar El Hongo (cogumelo), uma formação rochosa que se tornou no símbolo da cidade. A Ilha do Espírito Santo e a Ilha Partida merecem também uma visita.

É na Baja Califórnia Sul que nos perdemos de encantos pela Natureza, com uma biosfera única que atinge o seu esplendor no El Vizcaíno, a zona protegida mais extensa da América Latina, ocupando uma área de 25 mil metros quadrados. É aqui que encontramos a Lagoa de Santo Ignacio e a Lagoa Ojo de Liebre, locais conhecidos pela reprodução das baleias cinzentas. Também nesta zona deparamo-nos com as misteriosas pinturas rupestres da Serra de San Francisco.

 

Los Cabos para turista ver

Mas a maior surpresa estava reservada mais para Sul, mais concretamente na região onde o Pacífico abraça o Mar de Cortéz. É aqui que se situa uma zona conhecida por Los Cabos, um corredor turístico com cerca de quarenta quilómetros, que liga as cidades de Cabo San Lucasa e San José del Cabo. O destino tem sido uma das mais fortes apostas do governo mexicano e é local chique de peregrinação para americanos endinheirados. No referido corredor sou surpreendido por um, dois, três, muitos campos de golfe. É então que informam que Los Cabos quer-se afirmar como um dos principais destinos de golfe do mundo. É fácil perceber porquê. Assistimos a um “milagre” improvável, já que o verde dos greens choca com a paisagem desértica, típica da região, pululada por cactos gigantes ao bom estilo do Oeste. Pela estrada deparamo-nos com sinais apontando para o campo de golfe Jack Nicklaus, Tom Fazio, Robert Trent Jones, II, Tom Weiskopf ou The Dye Corporation. E depois, como dizia um golfista, há sempre o risco de estar a jogar enquanto se assiste à dança de uma baleia no horizonte.

Quanto a hotéis a qualidade e diversidade impressiona. Há de tudo e literalmente para todos os gostos. No corredor turístico encontramos a oferta mais sofisticada e exclusiva, com unidades como One&Only Palmilla, Westin Regina (simplesmente fantástico!), Hilton Los Cabos, Melia Cabo Real, Dreams, Fiesta Americana ou um Sheraton Hacienda del Mar. O difícil está mesmo na escolha. Mas se esta recair em locais onde a vida nocturna é rainha, então Cabo San Lucas é o local de eleição, onde não falta um Nikki Beach situado no Hotel ME by Melia Cabo. Em San Lucas encontramos uma pequena cidade mexicana moderna e cosmopolita, onde se deve evitar a qualquer custo a praia. Não é que não seja boa, mas aqui domina o american way of life e conceitos como paz e espaço estão de todo arredados do vocabulário local. Em resumo, San Lucas é uma espécie de Cancun mais moderno e talvez até mais sofisticado mas onde só se entra com dinheiro, muito dinheiro. O melhor indicador é passear pela marina e apreciar a quantidade e dimensão dos iates aí presentes. Também, diga-se em abono da verdade, estamos na capital mundial da pesca do marlim e não há pescador no mundo que não gostasse de ter um exemplar da espécie como galardão.

Mas é fora do dito corredor artificialmente construído pelo homem, mas onde abundam todas as comodidades, que entramos em contacto com este estranho mundo. Um mundo onde somos contemplados pelo azul do mar de um lado e o inóspito deserto do outro. Não há nada, não cresce nada e o único murmúrio vem do mar bravo, que de Pacífico tem pouco. Depois é partir há descoberta, de preferência num jeep bem artilhado. Sim, que as estradas só as principais, tudo o mais nunca viu o cheiro do alcatrão. Aventurar-se pelos cerritos e descobrir praias depois de palmilhar muitos quilómetros. E quando falo de praias refiro-me a autênticos santuários de pelicanos em centenas de metros de areia fina onde não faltam oásis e riachos. Isto é a Baja Califórnia. Selvagem, quente, indomada.

A não perder é uma viagem à pequena cidade de Todos Los Santos, parte da Rota dos Pueblos Mágicos. Situa-se a pouco mais de uma hora de San Lucas, rodeado de milhares de palmeiras, estamos perante um local com encantos especiais. Talvez seja devido à diversidade de galerias de arte, à variedade de restaurantes, às lojas de gostos refinados ou aos hotéis boutique… mas há ali qualquer coisa que não nos deixa indiferente. Em Todos os Santos impera um ambiente chill-out e a cidade esta pejada de turistas. Percebe-se porquê. É aqui que se encontra o Hotel Califórnia, imortalizado pelos Eagles, onde, como rezava a canção, “se pode encontrar um quarto em qualquer altura do ano”. Bem, isso foi antes. Agora o difícil é fazer uma reserva…

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Sun City, o paraíso perdido

Fernando Pessoa escreveu um dia “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. É certo que Sun City estava ainda longe de ser erguida mas se há local no mundo onde esta máxima faz sentido é neste resort situado a 187 kms de Joanesburgo, África do Sul.

Circundado pelas imponentes montanhas do Pilensberg, Sun City começou a nascer na década de 70 pela mão de um visionário, Sol Kerzner. O empresário afirmou um dia ser “o Indiana Jones dos negócios” e é fácil perceber porquê. O resort remete-nos para uma cidade perdida na selva, onde a atenção ao pormenor, aos pequenos detalhes, chega quase a ser uma obsessão.

A primeira unidade a ser inaugurada foi o Sun City Hotel, construído em 1979 junto ao actual campo de golfe com a assinatura de Gary Player. É aqui que se situa o casino, no seu tempo o único local na África do Sul onde era permitido jogar, e o Sun City Theatre, com 640 lugares. Dispondo de 340 quartos, todos orientados para uma piscina, este quatro estrelas disponibiliza uma variedade de bares e restaurantes, desde o Orchid, especializado em comida asiática, ao Raj, indiana, Calabash, comida sul-africana, entre outros. Quase 30 anos após a sua construção, o Sun City Hotel iniciou em 2007 um processo de renovação das suas infraestruturas, num investimento global de 21 milhões de euros que ficará concluído em Novembro deste ano. Estas mudanças fazem-se sentir não só ao nível da decoração dos quartos como também no aumento e modernização das casas de banho. Segundo Boris Bornman, director de operações do Sun City Resort, “o design está em harmonia com o verde da vegetação do exterior e a paisagem de cortar a respiração”.

Em 1982 abria o segundo hotel de Sun City, o The Cabanas, um três estrelas, situado junto a um lago, com uma vocação clara para acolher famílias. Com 380 quartos, oferece um conjunto de equipamentos concebidos a pensar nas crianças, com destaque para o Kamp Kwena Fort, um aviário que acolhe aves exóticas, uma quinta ecológica, mini-golfe, gaivotas e trampolins. Também neste caso o Cabanas foi alvo recente de uma profunda remodelação. Apesar de o lobby manter a sua decoração original, um mosaico de papagaios, peixes e flores, a intervenção fez-se sentir ao nível das habitações. Os quartos surgiram de cara lavada, apostando num design retro de estilo europeu, predominando o rosa e o verde-água. Mas se pensa que o facto de estarmos perante um três estrelas isso o diminui face aos seus ‘irmãos’ mais ostensivos, desengane-se. O Cabanas talvez seja o hotel que oferece o ambiente mais descontraído do resort e disso faz gala.

Dois anos após a abertura do Cabanas, em 1984, abria o Cascades. Ao longe assemelha-se a uma pirâmide maia. Puro engano! Estamos diante um cinco estrelas, com 243 quartos, envolto em jardins luxuriantes e que disponibiliza duas piscinas, uma delas aquecida.

Mas a verdadeira pérola estava guardada para o fim. Em 1992 nascia o The Palace of the Lost City, um ‘seis estrelas’ onde nada, mas mesmo nada foi e é deixado ao acaso. Feche os olhos e imagine uma tribo africana fluorescente, rica, imaginativa, onde o conhecimento e o respeito pela natureza fosse o seu bem mais precioso. Continue com os olhos fechados e imagine agora a sua cidade, as ruas, os jardins, os lagos, os recantos. Pode abrir agora os olhos e vai descobrir que imaginou o Palace ao pormenor. Com 338 suites, o destaque vai para as camas king-size esculpidas manualmente. O salão de chá é local obrigatório de peregrinação e o Villa del Palazzo, um restaurante que aposta na gastronomia italiana, surpreende pela inclusão no seu menu de vários pratos de caça.

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