Monthly Archives: Dezembro 2007

O Quintal da amizade

Ainda em Búzios, mais concretamente em Manguinhos, bem no alto de um serrado, de braços abertos para o mar que se explana lá em baixo, existe um local mágico chamado Quintal. É uma casa, um restaurante, um miradouro, uma sala e jantar onde se recebe amigos, um laboratório de sabores e cheiros, um segredo bem guardado.

Como é que ali fui parar? A história tem o seu quê de curioso. Passeava pela Orla Bardot, em Búzios, quando parei para uns minutos de conversa com o Marcelo, o director do Perú Molhado, o jornal de Búzios. Mas não se trata de um director normal ou de um jornal típico, não! Marcelo é um argentino que há muito se apaixonou por Búzios e o seu aspecto, a julgar pela barba, adequa-se bem a esta época natalícia.

Quanto ao Perú, tratasse de um jornal de língua afiada, sem medo de nada ou de ninguém, que presta um verdadeiro serviço público de democracia. Tem a curiosidade de ter entrado para o Guiness Book Of Records como «O Maior Jornal do Mundo». Quem quiser confirmar: www.operumolhado.com.br

Mas voltemos à história. Pois estava eu na conversa com o Marcelo quando sou apresentado ao Nelsinho e à Elo, dois irmãos. Ele o dono e chefe do Quintal e ela dona de um bistrôt. Paulistas, descendentes de portugueses e italianos. A amizade nasceu logo ali, instantânea, genuína. Daí surgiu o convite de ir ao Quintal, dias depois, jantar.

Ma hora marcada lá estava eu. A casa, sim porque é de uma casa que se trata, corta a respiração com o bom gosto, intimista. Depois, o êxtase no jardim. Um deck em madeira onde recortado surge um jardim de pedras, meticulosamente alinhadas em formas esguias, e uma piscina azul turquesa.

O Quintal tem capacidade para pouco mais de cinquenta pessoas e o Nelson faz questão de ir à mesa explicar detalhadamente todas as experiências. Sim, porque quem vai ao Quintal não é para comer, mas sim para viajar.

Entre os vários pratos, destaco o Gnocci Presidente, em homenagem aos cerca de dez anos que Nelsinho viveu em Brasília, e o Bacalhau com gnocci, o único em que se atreveu a baptizar com o seu nome de família. E fez ele muito bem, já que foi a primeira vez que vi um brasileiro cozinhar um bacalhau digno desse nome.

A nossa amizade nasceu na rua, passou pela mesa e alojou-se no coração. Tenho a certeza que em breve vou voltar ao Quintal do Nelson e da Elo. Para já ficou prometido ir comer o arroz lambe-lambe da simpática mamãe destes dois.

Há viagens de sentimentos, de sabores, cheiros e calor humano que são inolvidáveis. Esta entra directamente nessa categoria.

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Búzios… e muito mais

Neste momento encontro-me novamente em Búzios, um daqueles locais abençoadas como só o Brasil pode oferecer. É verdade, sou fã! Aliás, acho que virei buziano. Imagino-me facilmente a viver aqui, sem stress, ao ritmo do som dos pássaros e das águas calmas que banham a praia João Fernandes.

Aqui em Búzios tudo é pequeno. Não há escala brasileira. E passear pela cosmopolita Rua das Pedras é correr o risco de demorar duas horas só para fazer 200 metros. Mais do que as paisagens, a maneira calorosa com que fui recebido, de sorriso aberto, curiosidade no rosto e uma piada rápida, desarma o espírito mais fechado.

Vim em trabalho, que terminou hoje, e regresso a Lisboa dia 10. Até lá tenho 3 dias só para mim… e para os outros. Sim, porque já fui convidado hoje para jantar no Búzios Hotel, sair depois com o ‘Armandinho’ para beber um chope, amanhã o dia é dedicado às leituras na praia, jantar a convite num dos melhores restaurantes da cidade e domingo partida de barco privado para Arraial do Cabo, que ao que me dizem é uma das pérolas mais bem escondidas do Brasil. Não há como não gostar! E mil vezes isto a um resort de tudo incluído.

Mas ficam umas dicas para os viajantes que quiserem seguir o meu trilho:

Transporte: A TAP voa diariamente para o Rio, aeroporto do Galeão, mas ao chegar prepare-se para uma espera no controlo de passaportes de 2 horas.

Recuperadas as malas o transfer para Búzios demorará 2h30. São cerca de 180 kms de estrada em boas condições com uma paragem a meio caminho para jantar.

 

Pousadas: Aqui em Búzios, até a oferta hoteleira é à escala. Reinam as pousadas. Para quem queira estar em cima da praia sugiro o La Plage, cujo dono é português e uma simpatia. Se quer estar junto ao centro e ter vista de mar, bem colado à Orla Bardot irá encontrar a Casas Brancas. Um sonho de uma argentina, e que sonho.

Mais afastado do centro, com uma belíssima vista de mar e um ambiente que a elegeu como uma das melhores 25 pousadas do Brasil encontra-se a Glenzhaus, do grupo português Porto Bay.

 

Comer: Tudo é bom. Bom mesmo e tem comida de toda a parte do mundo. A rua das Pedras é onde encontrará a maioria dos bons restaurantes.

 

Quanto a praias há 23, portanto há-de certamente encontrar uma a seu gosto.

 

Segredo: A 30 kms da charmosa Armação de Búzios encontra-se a cidade de Cabo Frio, já com mais de uma centena de milhar de habitantes. A cidade em si não tem grande atractividade… ainda. Há a curiosidade de existir a Rua dos Bikinis, onde encontrará mais de uma centena de lojas de… bikinis!

Mas na orla costeira a Praia do Forte (não, não é a de Salvador) é simplesmente deliciosa. Em extensão será do estilo da Costa da Caparica, ampla, em baía, mas a areia branca sal e fina como o pó torna-a já por si um must. Se a isso juntarmos as águas mais limpas que já vi em toda a minha vida… o retrato está feito.

Mas segredo, segredo… é Arraial do Cabo. Vou descobri-lo no domingo, se não cair uma chuvada daquelas, e prometo revelar tudo quando regressar.

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