Aquando da minha passagem por Londres tive um agradável jantar com jornalistas de todo mundo no The Swiss Re Tower, mais conhecido por “The Gherkin”.
Tratasse do segundo edifício mais alto de Londres, com 180 metros. O cognome “Gherkin” foi dado pelo jornal “The Guardian”, em 1996, e faz referência a um pepino. Mas não é para contar a história da torre que aqui venho.
Ora no jantar, que partilhava com um japonês, uma americana, uma francesa e um inglês, falava-se de fumar e da nova lei inglesa que proíbe fumar em espaços fechados. Nada a obstar até porque a lei chega às nossas paragens dentro de mês e meio. Mas o que discutia era o radicalismo inglês de não permitir que se fumasse mesmo na rua debaixo de telheiros. Não raras as vezes era convidado por seguranças para ir para o passeio, desabrigado, à chuva, fumar. O inglês achava tudo perfeitamente natural. Eu e a francesa tentávamos explicar que essa não é a forma europeia de fazer as coisas. Era a americana, importada e imposta.
Claro que, a custo, concordo que não se fume em espaços fechados, mas defendo a liberdade dos donos para escolherem se querem ou não ser um local de fumadores. Simples. É como ir a um bar gay… só lá vai quem quer e quem vai…sujeita-se. E cada um é livre de ir…ou não ir. Mais simples que isto não há.
Agora o que discutíamos era passar do 8 ao 80, como que a penalizarem, a nós fumadores, por séculos de “libertinagem”. A Europa foi construída assente no respeito pelo espaço de cada um e pela não interferência do Estado nas opções individuais. É nisto que assenta a UE . E se um grupo de fumadores quer fumar em grupo num espaço só para eles… porque não?
E é nesta discussão que chegamos à conclusão que há duas maneiras de ver as coisas: a latina e a anglo-saxónica.
Mesmo agora, quando o Rei Juan Carlos, perante o facto de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, ter acusado Aznar de fascista, ter dito “Por que não te calas?”, vem ao de cima a essência de ser latino. É que se fosse um anglo-saxónico… comia, calava e mais tarde apresentava um protesto formal. Já os latinos são diferentes! Foi um raro momento em que tive pena de não ser espanhol. Ah, grande Rei!