Novembro 16, 2007

Um latino em Londres

Aquando da minha passagem por Londres tive um agradável jantar com jornalistas de todo mundo no The Swiss Re Tower, mais conhecido por “The Gherkin”.

 

Tratasse do segundo edifício mais alto de Londres, com 180 metros. O cognome “Gherkin” foi dado pelo jornal “The Guardian”, em 1996, e faz referência a um pepino. Mas não é para contar a história da torre que aqui venho.

 

Ora no jantar, que partilhava com um japonês, uma americana, uma francesa e um inglês, falava-se de fumar e da nova lei inglesa que proíbe fumar em espaços fechados. Nada a obstar até porque a lei chega às nossas paragens dentro de mês e meio. Mas o que discutia era o radicalismo inglês de não permitir que se fumasse mesmo na rua debaixo de telheiros. Não raras as vezes era convidado por seguranças para ir para o passeio, desabrigado, à chuva, fumar. O inglês achava tudo perfeitamente natural. Eu e a francesa tentávamos explicar que essa não é a forma europeia de fazer as coisas. Era a americana, importada e imposta.

 

Claro que, a custo, concordo que não se fume em espaços fechados, mas defendo a liberdade dos donos para escolherem se querem ou não ser um local de fumadores. Simples. É como ir a um bar gay… só lá vai quem quer e quem vai…sujeita-se. E cada um é livre de ir…ou não ir. Mais simples que isto não há.

 

Agora o que discutíamos era passar do 8 ao 80, como que a penalizarem, a nós fumadores, por séculos de “libertinagem”. A Europa foi construída assente no respeito pelo espaço de cada um e pela não interferência do Estado nas opções individuais. É nisto que assenta a UE . E se um grupo de fumadores quer fumar em grupo num espaço só para eles… porque não?

 

E é nesta discussão que chegamos à conclusão que há duas maneiras de ver as coisas: a latina e a anglo-saxónica.

 

Mesmo agora, quando o Rei Juan Carlos, perante o facto de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, ter acusado Aznar de fascista, ter dito “Por que não te calas?”, vem ao de cima a essência de ser latino. É que se fosse um anglo-saxónico… comia, calava e mais tarde apresentava um protesto formal. Já os latinos são diferentes! Foi um raro momento em que tive pena de não ser espanhol. Ah, grande Rei!

Novembro 10, 2007

A primeira viagem do Judeu Errante

Neste momento estou em Londres, num misto de work & leisure.

Já toda a gente conhece Londres. E quem ainda não pôs cá os pés não tem desculpa. Viajando por uma qualquer low-cost, easyJet por exemplo, custará em torno de 150 euros já com taxas. O truque é reservar com antecedência. Quanto maior ela for… mais barato será a viagem, podendo mesmo ficar pelos 50-60 euros. Aterra-se no aeroporto de Gatwick e daí a sugestão é apanhar o Gatwick Express, um comboio que nos leva a Vitoria Station, bem no coração da cidade. O comboio demora 30 mn e tem saídas de 15 em 15 minutos. Aconselho a pré-compra pela internet já com o bilhete de volta incluído, o que equivale a uma poupança de 15%, custando cerca de 24 libras.

Em Vitoria Station a sugestão é comprar um bilhete de metro para 3 dias, zona 1-2, onde se encontram as principais atracções, que fica pelas 17 libras.

 Quanto a hotel, pela variedade de escolha vá a, p.e., www.booking.com, ou se quer mesmo um pechincha arrisque no www.lastminute.com.

Pronto, está preparado para partir à descoberta de Londres. Nesta época aconselha-se o uso de um impermeável, uns ténis bem comfortáveis (irá andar bastante), luvas, cachecol e um bom polar. O ideal será vestir uma mera t-shirt e um polar, pois invariavelmente qualquer espaço debaixo de tecto tem o ar-condicionado regulado para os… 35 graus!

 Quanto a locais para visitar a escolha é infindável. Desde os mercados de Portobello ou Camden até ao Bristish Museum, que agora tem uma fabulosa exposição dos guerreiros chineses de Terracota, ou a exposição de Tutankamon patente a partir da próxima quinta-feira, dia 15; ou um passeio pelo Kesington Garden, com direito a espreitar o Kesington Palace, onde vivia a Princesa Diana; uma volta pelo Hyde Park, o maior jardim da cidade, com paragem obrigatória no Speakers Corner, um local dado a manifestações onde cada um diz o que quer.

Compre um guia da cidade. O meu conselho iria para o da American Express mas o seu tamanho aconselha o uso de uma mochila. Mas lá encontra todas as dicas e mais algumas.

Quanto a refeições a escolha é infinita. Há de tudo e para todos os gostos. Por curiosidade, uma destas noites mergulhe na Chinatown (que foi o que fiz hoje) e experimente um daqueles patos caramelizados. Prepare-se porque as filas para arranjar uma mesa vão fazer aumentar a fome.

 Nota Pessoal – é a primeira vez que viajo com a minha mãe e também é a primeira vez que ela deixa o meu pai e irmã em casa e cede a um dos meus inúmeros convites para «conhecer o mundo mais do que Cascais». Tem sido uma aventura fantástica, mas só me pergunto quando é que deixei de ser filho e passei a ser pai. Curioso. Agora sou eu em cuidados com a minha mãe e ela descansada visivelmente orgulhosa no desenrascanço do filho. Mesmo quando nos perdemos… ela confia. Vá-se lá entender.

 Conselho – Fernando Pessoa dizia que «sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura». Dá que pensar. Daí a necessidade de viajar, ver coisas diferentes e com isso ser maior.

Novembro 8, 2007

Judeu Errante: A razão do nome

Apesar do seu autor ser jornalista, este blogue não tem um estatuto editorial definido. É apenas assumidamente sionista, defensor do judaísmo e das suas tradições, sem que isso tolde o raciocínio do seu autor.

A razão deste blogue se denominar Judeu Errante é simples (ou complexa). Judeu Errante é uma personagem mítica da oralidade dos primórdios do cristianismo. Reza a lenda que Ahsverus era um judeu que trabalhava numa oficina de sapateiro em Jerusalém. A dita oficina localizava-se numa rua onde os condenados à morte eram forçados a passar carregando a cruz. Na Sexta-Feira da Paixão, Jesus Cristo, passando por aquele mesmo caminho carregando a sua cruz, foi importunado com ironias pelo sapateiro Ahsverus. Jesus, então, teria-o amaldiçoado, condenando-o a vagar pelo mundo, sem nunca morrer, até a sua volta, no fim dos tempos.

Ao longo de séculos, tem-se reportado avistamentos deste suposto Judeu Errante um pouco por todo o Mundo.  Desde a Síria à Itália, passando pela Alemanha e Brasil.

 Independentemente da origem cristã da história e de ela se reportar a um suposto acto menos bondoso, o facto de se referir a um judeu condenado a errar pelo mundo, sempre em viagem, tem algum paralelismo com a vida do próprio autor deste blogue.

 O Judeu Errante foi, inclusivé, algo da atenção de escritores e poetas. A título de exemplo cito o grande Vinicius de Morais:

Hei de seguir eternamente a estrada
Que há tanto tempo venho já seguindo
Sem me importar com a noite que vem vindo
Como uma pavorosa alma penada
Sem fé na redenção, sem crença em nada
Fugitivo que a dor vem perseguindo
Busco eu também a paz onde, sorrindo
Será também minha alma uma alvorada
Onde é ela? Talvez nem mesmo exista…
Ninguém sabe onde fica… Certo, dista
Muitas e muitas léguas de caminho…
Não importa. O que importa é ir em fora
Pela ilusão de procurar a aurora
Sofrendo a dor de caminhar sozinho
A partir de hoje…. estão abertas as hostilidades. Bem vindos!

Novembro 8, 2007

Fénix

Tal como a Fénix que renasce das cinzas, este novo espaço, Judeu Errante, nasce do Judiaria de São Bento. Este último foi a minha estreia na aventura dos blogues. Durou dois anos e meio e acabou quando tinha de acabar. A vida muda e a minha, apesar de aparentemente não sair do mesmo lugar, está em constante devir. Além disso, já há dois anos que não moro na Rua de São Bento. Deixava de fazer sentido o próprio nome do blogue.

Aqui neste espaço desafio-me a escrever sobre as minhas viagens. As viagens geográficas que faço por esse mundo fora, com observações e ideias. E as viagens interiores, onde procuro, dentro das minhas limitações, encontrar respostas para essas mesmas observações do estado de alma.

Ao contrário do blogue anterior não serão aceites comentários injuriosos. Aqui debatem-se ideias, trocam-se experiências, não se discutem pessoas.