Sem malas mas com o tal sorriso disponho-me a não perder tempo. Quero conhecer tudo sobre KL, como se o mundo acabasse ao final da tarde. Conheço o meu guia, o James, um descendente de segunda geração de indianos, que me guia num daqueles Mercedes que remonta ao início dos anos 90. Não quero saber, tenho um James e um Mercedes!
Seguem-se duas mesquitas que é só para os fieis, uma estação de comboios que não envergonha a nossa velhinha Santa Apolónia, meia dúzia de ruas sem história, uma praça de independência, grande como manda o figurino, uma torre de telecomunicações (KLTower) a rasgar os céus e onde se vislumbra toda a cidade. Cheiram-se as Petronas de perto, parte-se por uma rua de indianos e cedo se percebe duas coisas:
1 – KL não é tão grande como parece. Aliás, tudo de relevante se reduz a um triângulo;
2 – É que mesmo os edifícios mais antigos têm pouco mais de 100 anos!
Mas neste dia há algumas experiências que sobressaem. A primeira é o Central Market, uma espécie de feira do artesanato, onde pululam lojas (com bom gosto) de indianos. Mas mais que as compras a sedução foi para um spa de peixes. É verdade! Colocam-se os pés numa piscina repleta de pequenos peixes… e depois é ver os sacanas a atirarem-se com voracidade às peles mortas! Aposto que as minhas gargalhadas se ouviram no piso de baixo. Dizem que é o Fish Cute Spa… seja o que for, por 5 ringgits as gargalhadas são garantidas.
Fora do programa, as Batu Caves são de visita obrigatória. Distam 30 mns do centro e trata-se de um templo hindo. Nada de novo, não fosse serem necessários galgar cerca de 300 degraus numa subida íngreme que rasga a montanha e entra num caverna que dizem ter milhares de anos. Durante a subida, enquanto vou rezando a todos os deuses hindus que me lembro, vou sendo saudado por uns macacos que mal me aproximo me fazem lembrar que estou com a mesma camisa há 48h.
Chegado ao topo deparo-me com mais templos hindus. Estes tipos têm templos para tudo e macacos também. Aliás, lá em baixo sou saudado pelo Deus-Macaco e, mesmo à direita de quem sobe, um filho de uma deusa em dourado, com uns bons 70 metros, olha para nós impávido e sereno. Lá em cima deparo-me com uma tabuleta a dizer que daquele ponto para á frente está proibido o exercício físico. Mas está tudo doido?? Depois de 300 degraus há quem pense em exercício???
Desço enquanto entardece e o som dos grilos faz eco na gigante gruta. Sopra finalmente uma aragem e não se avista vivalma de turistas. Hora perfeita, momento perfeito. Melhor só com um copo de sangria branca da esplanada de São Pedro. Não se pode ter tudo…
A noite veio depressa e com ela a fome. Next stop… mercado chinês. Aqui compra-se uma T-shirt Paul Smith ‘original’ por cerca de 5 euros, entre milhares de outras coisas. É uma espécie de vale tudo! Seguro a qualquer hora e a convidar para uma bela jantarada, onde se como o que se quer e o que se desperdiça. Opto por uma Tiger… aliás peço logo duas… e depois vejo que cada uma tem 650 ml… siga. Ainda veio mais outra para a mesa. Sim, porque um pato lacado pede isso e muito mais.
Na chegada ao hotel, em modo zombie, sou informado que a minha red case chegou e está de boa saúde. Sorrio novamente. Os deuses, com o seu sentido de humor perverso, conspiram a meu favor.
Amanhã segue-se uma aventura até Putrajaya, capital administrativa da Malásia, uma espécie de Brasília à la Malaia. E decidi encher-me de coragem para cortar o cabelo entre os locais. Portanto, ou chego monge budista ou com o cabelo à tijela.
PS – Na visita ao Palácio do rei tive ainda a sorte de ver Sua Alteza sair, com todo o aparato que daí advém. Não se compara com Inglaterra, mas para quem estava simplesmente a tirar umas fotos aos cavalos… não está mal.
Fartei-me de rir com as tuas aventuras e desventuras!! Tédio não vai ser problema pelos vistos
uma beijoca gd….ah…eu nao arriscava cortar o cabelo por aí..lololol
Ler estes teus passos de descoberta, a descrição que fazes, a realidade que pões nestas palavras… fazem-nos acreditar que estamos a viajar contigo!
Muito bom mesmo!
Beijo