O Quintal da amizade

Ainda em Búzios, mais concretamente em Manguinhos, bem no alto de um serrado, de braços abertos para o mar que se explana lá em baixo, existe um local mágico chamado Quintal. É uma casa, um restaurante, um miradouro, uma sala e jantar onde se recebe amigos, um laboratório de sabores e cheiros, um segredo bem guardado.

Como é que ali fui parar? A história tem o seu quê de curioso. Passeava pela Orla Bardot, em Búzios, quando parei para uns minutos de conversa com o Marcelo, o director do Perú Molhado, o jornal de Búzios. Mas não se trata de um director normal ou de um jornal típico, não! Marcelo é um argentino que há muito se apaixonou por Búzios e o seu aspecto, a julgar pela barba, adequa-se bem a esta época natalícia.

Quanto ao Perú, tratasse de um jornal de língua afiada, sem medo de nada ou de ninguém, que presta um verdadeiro serviço público de democracia. Tem a curiosidade de ter entrado para o Guiness Book Of Records como «O Maior Jornal do Mundo». Quem quiser confirmar: www.operumolhado.com.br

Mas voltemos à história. Pois estava eu na conversa com o Marcelo quando sou apresentado ao Nelsinho e à Elo, dois irmãos. Ele o dono e chefe do Quintal e ela dona de um bistrôt. Paulistas, descendentes de portugueses e italianos. A amizade nasceu logo ali, instantânea, genuína. Daí surgiu o convite de ir ao Quintal, dias depois, jantar.

Ma hora marcada lá estava eu. A casa, sim porque é de uma casa que se trata, corta a respiração com o bom gosto, intimista. Depois, o êxtase no jardim. Um deck em madeira onde recortado surge um jardim de pedras, meticulosamente alinhadas em formas esguias, e uma piscina azul turquesa.

O Quintal tem capacidade para pouco mais de cinquenta pessoas e o Nelson faz questão de ir à mesa explicar detalhadamente todas as experiências. Sim, porque quem vai ao Quintal não é para comer, mas sim para viajar.

Entre os vários pratos, destaco o Gnocci Presidente, em homenagem aos cerca de dez anos que Nelsinho viveu em Brasília, e o Bacalhau com gnocci, o único em que se atreveu a baptizar com o seu nome de família. E fez ele muito bem, já que foi a primeira vez que vi um brasileiro cozinhar um bacalhau digno desse nome.

A nossa amizade nasceu na rua, passou pela mesa e alojou-se no coração. Tenho a certeza que em breve vou voltar ao Quintal do Nelson e da Elo. Para já ficou prometido ir comer o arroz lambe-lambe da simpática mamãe destes dois.

Há viagens de sentimentos, de sabores, cheiros e calor humano que são inolvidáveis. Esta entra directamente nessa categoria.

1 Comentário

Filed under Brasil, Jornalismo, Jornalista, Turismo, Viagens

Uma resposta a O Quintal da amizade

  1. Mas que inveja! Voce ai neses sitios tao quentinhos e a comer bem e eu aqui nesta gelida America!

    Shalom

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